Sabe aquele "branco" nos pensamentos. Vou usando minha picareta e forçando até que algo faça sentido. Para mim e quem sabe para o lê.

O picareta ou a picareta?

Tempo de leitura: 2 minutos
Onde buscar inspiração?
Como transformar transpiração em criação?
Tem horas que nada sai…

 

Coço a cabeça, leio um jornal velho, folheio um livro mais velho ainda, vou da cozinha ao quarto dos fundos uma dezena de vezes.

Isso sem me dar conta que com as janelas abertas algum vizinho poderia achar que estou pirando.

Já até apelei para minha superstição de molhar as mãos com a água da torneira.

Sabe-se lá a razão para eu achar que melhoro minha concentração quando o faço.

É, devo estar batendo a caçuleta mesmo.

Ainda assim nada acontece.

 

Havia lido certa vez que escrever era 90% transpiração e 10% de inspiração.

Mas ninguém me explicou o que fazer quando beiro os 100% de transpiração.

Ofegante, uma hora com assuntos aos montes e agora sem um mote.

Você, leitor insistente, poderia dizer que isso acontece porque não tenho talento.

E realmente não acho que o tenho. E ponto.

Talvez até os grandes tenham passado por momentos. 

E eu transpiro em bicas.

 

Discuto comigo mesmo por excluir de maneira definitiva dos meus textos algum estrangeirismo inútil da moda empresarial.

Daqueles que perfeitamente podem ser substituídos por uma palavra em português.

Mas que só são usados para dar alguma importância a algum procedimento antigo e hoje encoberto por penas de pavão.

(Um brainstorming resolveria?)

Quero um assunto, mas não o tenho.

Na verdade tenho vários e de fato mesmo não tenho nenhum.

Não tenho um horário estipulado para entregar nenhum artigo ou crônica, mas sei apenas que quero e preciso antes que transborde.

O transe habitual que me coloco para escrever ainda está bem distante.

 

Se fumasse certamente acenderia um cigarro atrás do outro.

Ligo e desligo o ventilador outra dezena de vezes.

Aciono a descarga mais uma centena.

Sinal de quase desespero gratuito.

Paro em frente ao teclado e travo.

Mãos em posição de ataque e daí sai uma sequência de gggggggggggggg.

Além de um sonoro “puta que pariu”.

Até o silêncio neste caso me desconcentra.

 

Tento digitando algumas palavras difíceis e tento montá-las como um quebra-cabeça.

Nada que me faça sentir que esteja fazendo contato.

Pego caneta e papel e daí, quem sabe, assim consiga algo.

Mesmo que seja insuficiente e passível da minha própria crítica feroz.

Preciso daquela sensação de que esteja falando com alguém.

Manter contato.

Talvez com as entranhas do meu pensamento abertas, coloque minha picareta para trabalhar.

Mesmo que ainda esteja na dúvida se sou um ou se a uso.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.