O sujeito no meio das pernas!

O sujeito no meio das pernas!

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Tenho andado meio desanimado.

Olho em volta e sem empolgação alguma ainda tento conjecturar.

Sei perfeitamente que antever o futuro nunca foi meu forte.

Ainda assim eu observo as muitas opções. As analiso friamente e como consequência me desanimo mais ainda.

Até tento com boa vontade abolir algumas condições.

Apesar de postergar por mais um pouco.

Abro a portinhola da gaiola, mas deveria mesmo era tentar abrir a porta do galpão.

 

Não tenho coragem. Nem paciência.

Sempre tem algum porém.

Sempre tem uma vírgula.

Nunca há um travessão.

 

O sujeito no meio das pernas já não manda mais em mim!

Aprendi a ouvir, mas e se o que chega aos meus ouvidos não  me toca?

Procuro uma palavra que me defina, porém meu dicionário está em branco na letra c.

Vestido rodado, olheiras, unhas por fazer e cabelo desgrenhado já não me atraem mais.

O imprevisto e um sorriso aberto sim.

Determino um tipo hoje que já não existirá na minha cabeça amanhã.

Até finjo que vou. Mas não vou e logo eu desanimo de novo.

 

O sujeito no meio das pernas já não manda mais em mim!

Tento até me acostumar, mas preferi esquecer como conjugar este verbo.

Em qualquer tempo. E estação.

Tá na hora de ir embora afinal não posso pegar sereno.

 

Foto: Cepolina


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.