Ou dá ou desce ou A imperceptível felicidade nula

Ou dá ou desce ou A imperceptível felicidade nula

Sem nenhuma paciência e sem tempo a perder,
Percebo a felicidade sempre perseguida, mas pouco sentida e percebida 

 

Eu queria apenas sentir uma brisa de felicidade

Ou pelo menos tivesse um mapa.

E que também soubesse emudecer sem me retalhar,

Apaziguar sem me contorcer.

 

Por várias vezes procurei compreender os pormenores

E me angustiei por me revelar.

Por várias vezes pensei ser o timoneiro,

Quando de fato era apenas o papagaio no ombro do pirata.

 

Atormentei minhas carótidas

Com erupções de ira frequentes e

Arrependimentos que duravam uma eternidade

E também por seguidamente acertar o mindinho na quina da mesa.

 

Por várias vezes tentei tampar minha boca,

Mesmo quando minha língua insistia em pular a grade.

Me culpei apenas por pensar que nada me faria mudar

E me calei ao perceber que estava sempre atrasado.

E que ali, abandonado, eu já não era mais o mesmo.

 

Foto por Reynaldo Cruz.

Que foto hein?

 

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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.