Não se misture com quem você não seria por Marcel Camargo.
Fundindo a Cuca

Não se misture com quem você não seria por Marcel Camargo.

Tempo de leitura: 2 minutos
Adultos não deveriam se importar com a opinião alheia,
Nem ter necessidade extrema de serem aceitos.

 

Adultos deveriam bastar-se sozinhos, rir de si mesmos, preferir ter paz a ter razão.

Isso seria maturidade.

Isso deveria ser a meta de todos nós.

Para tanto, não devemos jamais nos misturar com pessoas que não se afinam com nossas verdades assim como com nossas visões de mundo.

 

Não se misture.

Não se misture com quem faz piadinhas desagradáveis sobre você, rindo amigavelmente na sua frente e, muito provavelmente, continuando a sorrir com desprezo na sua ausência.

Com gente que desconhece limites entre humor e ofensa, que ironiza assuntos sérios, subestimando a vida de qualquer um que passe por perto.

Não se misture com quem não ouve, nunca escuta, apenas sabe falar sobre si mesmo.

Com gente cuja própria vida é o único foco de suas conversas.

Com quem se acha melhor do que todos e até mesmo diminuindo o outro para se sentir mais importante.

 

Não se misture com quem é frio, insensível, com quem não se abala com a dor de ninguém.

Com gente que não consegue se colocar no lugar do outro.

Que sempre acusa as pessoas de serem culpadas por suas próprias misérias, que nunca será capaz de admitir que erra, que machuca e que é minimamente humano.

Não se misture com quem não torce por você.

Com quem nunca recebe seus sonhos sorrindo.

Com quem subestima tudo o que você é.

Com gente que espera sua derrota, que aguarda seu vacilo, que tem certeza de sua queda.

Gente que jamais será capaz de comemorar suas vitórias com verdade.

Não se misture com quem não tem capacidade de amar, de se doar ou mesmo de compartilhar.

Com gente que só quer receber, ganhar, ser o centro do universo.

Gente que não sai do círculo do próprio umbigo, não estende a mão, não oferece ajuda, não se importa com o que não está dentro de si.

Estaremos bem e felizes quando conseguirmos viver o que mora em nossos corações, sem precisar fingir perto dos outros.

Fato é que não necessitamos de máscaras quando nos encontramos em nosso meio, junto a nossa gente, ao que vibra em sintonia com nossa alma.

Ninguém merece sufocar sua essência perto dos outros.

Não se misture com quem sufoca, nem se for para ficar na melhor companhia do mundo: somente com você mesmo.

 


*O título deste artigo é uma citação frequente na internet e cuja autoria não encontrei.


Por Marcel Camargo. 
Sobre a responsabilidade de manter a lucidez em mundo dominado por C(EGOS)
Fundindo a Cuca

Sobre a responsabilidade de manter a lucidez em mundo dominado por C(EGOS)

Tempo de leitura: 2 minutos
Há um ditado que diz que a arte imita a vida

 

Entretanto, por vezes acontece o contrário: a vida imita a arte e um dos exemplos que confirmam isso é o livro “Ensaio Sobre Cegueira”, obra do gênio português José Saramago.

Já que – assim como no livro – estamos cada vez mais mergulhados em uma cegueira que torna insustentável (ou impraticável) o mínimo de humanidade que nos constitui ou deveria nos constituir.

 

A “cegueira branca”

Ou a “dura pele” a que chamamos egoísmo, infelizmente, não é uma realidade apenas “saramanguiana”.

Ela está em cada um de nós, pelo menos em potencial, de modo a tornar-se evidente e quantitativamente grande em um piscar de olhos, com o perdão do trocadilho.

Dessa forma, basta que alimentemos o lado escuro do coração, para que os olhos passem a não enxergar além do próprio ego ou do próprio umbigo.

A questão que se coloca, diante disso, é se o mundo no qual vivemos oferece condições suficientes para que a lucidez seja mantida.

Na estória do português, as condições não são das mais favoráveis, tanto que apenas uma pessoa – a mulher do médico – permanece lúcida, sem cegar, ou melhor:

“Com a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”.

Na nossa sociedade, parece que as condições não são tão diferentes, afinal o egoísmo e o individualismo são consagrados ininterruptamente como valores supremos e absolutos, de tal maneira que ser cego é a regra, enquanto a lucidez é uma rara exceção.

 

Apesar da realidade sombria e dificultosa

É possível se manter lúcido e ainda mais que isso: é condição imprescindível para que o que ainda resta de humanidade entre nós não escoe pelo ralo.

Evidentemente, não é fácil tanto que se fosse, “Ensaio sobre a Cegueira” sequer existiria ou, no mínimo, teríamos mais do que apenas “a mulher do médico” como ser que consegue enxergar.

No entanto, é necessário entender que cada um possui responsabilidade pela parte que lhe cabe no mundo, inclusive, para que a sua própria existência possa ser garantida.

 

Sendo assim, é uma enorme falta de racionalidade, ou deturpação desta, acreditar que um mundo construído em cima de fundamentos tão desumanizadores, como o egoísmo, possa ter qualquer tipo de sustentação.

Mais hora, menos hora, ele vem abaixo.

Rachaduras enormes e aos montes já são perceptíveis, pelo menos, para quem ainda consegue ou quer enxergar.

Na realidade do livro, de repente as pessoas voltam a enxergar, como se nunca tivessem cegado, como se fossem cegos que vendo, não veem.

Penso que é exatamente assim que estamos: acreditando enxergar, quando já estamos cegos, presos em armadilhas que diariamente ajudamos a construir.

Resta saber, quantos ainda permanecem enxergando, contrapondo-se à ordem destrutiva do mundo e assumindo a responsabilidade de manter a lucidez em mundo dominado por c(egos).

 

Por Erick Morais e Fãs da Psicanálise.


Já assistiu ao filme ou leu o livro?

 

Moral de rebanho é um conceito da filosofia de Nietzsche que afirma a existência de um comportamento humano puramente submisso.
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Instinto de rebanho por Nietzsche

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Em toda a parte onde encontramos uma moral encontramos uma avaliação
E uma classificação hierárquica dos instintos e dos atos humanos.

 

Essas classificações e essas avaliações são sempre a expressão das necessidades de uma comunidade, de um rebanho:

É aquilo que aproveita ao rebanho, aquilo que lhe é útil em primeiro lugar – e em segundo e em terceiro -, que serve também de medida suprema do valor de qualquer indivíduo.

 

A moral ensina a este a ser função do rebanho, a só atribuir valor em função deste rebanho.

 

Variando muito as condições de conservação de uma comunidade para outra, daí resultam morais muito diferentes.

E, se considerarmos todas as transformações essenciais que os rebanhos e as comunidades, os Estados e as sociedades são ainda chamados a sofrer, pode-se profetizar que haverá ainda morais muito divergentes.

A moralidade é o instinto gregário no indivíduo.

 

Friedrich Nietzsche, em “A Gaia Ciência”.


Concorda?
eu amo só por Rayana Moura
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Eu amo só por Rayana Moura

Tempo de leitura: < 1 minuto

 

e se eu ficar 23 dias sem te ver

calada

muda

ruminando minhas dores

e meus rancores?

 

e se eu ficar 23 dias sem você

eu não vou precisar esperar

eu odeio esperar

e já não quero esperar por alguém

que não desça do seu pedestal particular

 

e se eu ficar 23 dias sem te ver

enfio minha cara nos livros

eu danço até cansar

eu corro

eu danço

eu vivo

mas não vivo te esperando

pra me amar

eu vivo só.

 

Por Rayana Moura.

Sacou?
Essa entrevista trouxe reflexões muito interessantes sobre a vida profissional
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Uma pessoa ruim nunca será um bom profissional por Raquel Brito

Tempo de leitura: 2 minutos
Uma pessoa ruim nunca será um bom profissional”,
Afirmou o pai das inteligências múltiplas, Howard Gardner

 

Essa entrevista trouxe reflexões muito interessantes e, com isso, nos deu a possibilidade de amadurecer uma ideia que é o reflexo de uma verdade arrasadora.

Somente as pessoas boas podem vir a ser excelentes profissionais.

As pessoas ruins, por sua vez, nunca chegarão a isto, mesmo sendo verdade que possam alcançar grande perícia técnica.

Isto nos leva a pensar na possibilidade de classificar as pessoas em boas e más. Realmente esta diferenciação parece fictícia, pois os seres humanos não são uma dicotomia, mas sim uma amálgama de qualidades.

Estas qualidades, obviamente, podem ser entendidas como boas ou ruins. Quando colocamos na balança a combinação delas, talvez pese mais a parte obscura do que a brilhante; esse é justamente o sentido da frase que encabeça o artigo.
-Howard Gardner-

 

A bondade e o equilíbrio, a base do nosso profissionalismo

É preciso haver um equilíbrio entre o compromisso, a ética e a excelência para chegar a ser um bom profissional. Digamos que para “ser bom de verdade” é preciso colocar a alma, emoções, sentimentos e afinco ao próprio trabalho. Neste sentido, este fragmento da entrevista de Howard Gardner não tem desperdício, pois reflete a tremenda sensatez com a qual se adequa às suas palavras:

-Entrevistador: Por que existem excelentes profissionais que são pessoas ruins?

-Howard: Descobrimos que essas pessoas não existem. Na verdade, as pessoas ruins não podem ser profissionais excelentes. Nunca chegam a ser. Talvez possam ter uma perícia técnica, mas não são excelentes.

-E: Eu tenho em mente algumas exceções…

-H: O que comprovamos é que os melhores profissionais são sempre ECE: excelentes, comprometidos e éticos.

-E: Você não pode ser excelente profissional, mas um bicho ruim como pessoa?

-H: Não, porque você não alcança a excelência se não for mais além de satisfazer o seu ego, sua ambição ou sua avareza. Se você não se comprometer, portanto, com objetivos que vão mais além das suas necessidades para servir as de todos. E isso exige ética.

-E: Para se tornar rico, com frequência incomoda.

-H: Sem princípios éticos você pode chegar a ser rico, sim, ou tecnicamente bom, mas não excelente.

-E: É reconfortante saber disto.

-H: Hoje em dia nem tanto, porque também descobrimos que os jovens aceitam a necessidade de ética, mas não no início da carreira, pois acham que sem dar cotoveladas não irão triunfar. Enxergam a ética como o luxo de quem já alcançou o sucesso.

 

A importância de ser, acima de tudo, uma alma humana

Conheça todas as teorias. Domine todas as técnicas, mas quando tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.

Estas são palavras do emblemático psicanalista Carl Gustav Jung, palavras que escondem um realidade certeira.

É importante que antes de profissionais, sejamos pessoas. É isso que traz equilíbrio no desenvolvimento das nossas qualidades profissionais. Não podemos nos desligar de nós mesmos; ou seja, de certa forma não podemos dissociar nossas vidas interiores das nossas vidas profissionais.

Falamos de essência, dessas qualidades que nos ajudam a não nos perdermos entre as pessoas, a nos conhecermos e desconhecermos, a transformar-nos através das lições, a ter um coração belo, a melhorar a cada dia e a nos contemplarmos como um arco-íris.

Porque, além disso, se há uma coisa que é preciso ter em mente é que as pessoas às vezes são branco, outras vezes preto, e às vezes mil cores.

 Equilibrando a balança em direção ao que é positivo conseguiremos alcançar a excelência nas nossas profissões, assim como nos diferentes âmbitos das nossas vidas.

 

Fonte: amenteemaravilhosa.com.br.


E você concorda?

 

Talvez você nunca tenha percebido, mas o poder da mente é capaz de fazer milagres em sua vida. A maneira como você pensa pode te elevar infinitamente.
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4 Erros que paralisam sua vida para abandonar agora mesmo

Tempo de leitura: 4 minutos
Talvez você nunca tenha percebido,
Mas o poder da mente é capaz de fazer milagres em sua vida.
A maneira como você pensa pode te elevar infinitamente,
Mas também te destruir

 

Para você ter uma ideia do que ela é capaz, podemos dizer que ela pode aumentar sua confiança, diminuir compulsões alimentares e mudar o modo como seu corpo reage a determinadas situações.

No entanto, ela também pode te aprisionar em erros extremamente perigosos.

A verdade é que a sua mente é mais eficiente do que qualquer penitenciária de segurança máxima.

Mais aprisionadora do que qualquer objeto imobilizador.

O problema é que, infelizmente, muitos a consideram inexistente.

Isso por se tratar de um fruto da natureza filosófica e subjetiva da mente humana.

Pensando na importância de conhecermos nossas limitações para melhorá-las, listarei aqui 4 tipos de prisões que podem estar te aprisionando sem você perceber.

 

1. A armadilha da auto-sabotagem

Quantas pessoas legais você conhece e que se sabotam?

Você mesmo, que lê esse artigo, reflita se consegue ser seu aliado em cada uma das suas decisões.

Você é amigo de si mesmo?

Ou tem alguma auto sabotagem em andamento?

É importante você questionar a amizade que possui com seu espelho.

Afinal quanto mais consciente das suas sabotagens, mais força você pode ter para mudar.

A baixa autoestima tende a fazer com que sempre nos achemos menos capazes do que os outros e essa imagem depreciativa que fazemos de nós mesmos tende a nos paralisar frente aos desafios e oportunidades.

É necessário ter coragem para olhar dentro de si mesmo e calar todas as desculpas “automáticas” que surgem em nossa mente.

Neste caso, é importante que você saiba que a auto sabotagem pode ser curada.

Especialmente quando você esta disposto a lidar com ela.

 

2. Comodismo

Fazer uma mudança radical em seu estilo de vida e começar a fazer as coisas com coragem que você pode nunca ter pensado em fazer, ou foi muito hesitante para tentar.

Assim, muitas pessoas vivem dentro de circunstâncias infelizes e ainda não vai tomar a iniciativa de mudar sua situação porque está condicionada a uma vida de segurança, conformidade, e conservação.

Se você deseja obter mais da vida, você deve perder a sua inclinação para a segurança monótona e adotar um estilo de atabalhoadamente de vida que a princípio parece que você seja louco.

Mas uma vez que você se acostumar com uma vida que você vai ver o seu sentido pleno e sua beleza incrível. Into the Wild

 

Frequentemente uso esse trecho do livro para falar em comodismo, pois essa parte, em específico, me parece libertadora.

Geralmente quando vivemos cercados por muita proteção e somos impedidos de correr riscos, tendemos a nos acostumar com essa falsa sensação de segurança

Isso distorce em nós a capacidade de experimentar o novo, o belo, o desconhecido. Por alguma razão, sentimos que nada vale a pena.

Repetimos constantemente aquele dito popular:

Melhor um pássaro na mão do que dois voando, só que com isso, perdemos um lindo show de pássaros nos ensinando o que é liberdade de verdade.

O comodismo transforma nosso mundo interior numa imensa prisão.

Não ousamos sequer pensar em atravessar as fronteiras da nossa razão sob a justificativa do medo.

A zona de conforto entorpece a mente, e ficamos desorientados sempre que algo pede um pouco mais de nós.

Não desperdice sua vida, porque, é como dizem:

O tempo que passou não volta mais.

Para você ter uma ideia do que ela é capaz, podemos dizer que ela pode aumentar sua confiança, diminuir compulsões alimentares e mudar o modo como seu corpo reage a determinadas situações.

No entanto, ela também pode te aprisionar em erros extremamente perigosos.

A verdade é que a sua mente é mais eficiente do que qualquer penitenciária de segurança máxima.

Mais aprisionadora do que qualquer objeto imobilizador.

O problema é que, infelizmente, muitos a consideram inexistente por se tratar de um fruto da natureza filosófica e subjetiva da mente humana.

Pensando na importância de conhecermos nossas limitações para melhorá-las, listarei aqui 4 tipos de prisões que podem estar te aprisionando sem você perceber.

 

3. Busca por aceitação

A busca por aceitação, infelizmente, é uma das maiores obsessões do nosso século.

A cultura do status está em alta, e se você não estiver lá mostrando seus potenciais, sua popularidade, então você provavelmente irá começar a se sentir alheio ao seu grupo de convivência.

Infelizmente, muitas são as pessoas dispostas a negar tudo o que são para que as vontades de terceiros, quartos, quintos, sejam satisfeitas.

Pensar e ter vontade própria – se for diferente da maioria – é quase um crime.

No entanto, aderir um estilo de vida para impressionar os outros não só aprisiona, assim como limita sua capacidade cognitiva, sua criatividade e sua autonomia diante das dificuldades.

Travar essa luta interior todos os dias para silenciar a própria natureza pode comprometer a saúde mental de qualquer um.

Não se permita algemar.

Se as pessoas não gostam de você pelo seu jeito, sua roupa, seus costumes e seus gostos, isso não é um problema seu.

Repito: O problema não está em você! Não permita que te façam acreditar nesse absurdo.

Jamais abra mão do direito de ser você mesmo.

Viver para agradar aos outros custa caro, e é um preço que só se paga abrindo mão da própria vida.

 

4. Convicções religiosas inflexíveis

Toda convicção tende a ser perigosa, principalmente a religiosa.

Pois com ela, você corre um grande risco de se tornar uma pessoa inflexível.

Tal inflexibilidade gerada pela pretensão de ser detentor de uma verdade, que ao ver dos fiéis, é incontestável, mostra o principal ponto negativo de ter certeza.

Ter esse tipo de comportamento bloqueia completamente a mente para novos conhecimentos, te deixa limitado para lições simples que você poderia observar e aprender com as pessoas que pensam diferente de você.

Por favor, dê uma afrouxada nos cintos da religião, pois certamente você perceberá que toda essa rigidez não tem valor algum.

 

Originalmente na Equilíbrio em vida.


 

O cérebro pode ser domado como o corpo e existem exercícios para adquirir confiança e controlar o estresse, as emoções e a ansiedade.. ansiedade
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Como treinar a mente para administrar a ansiedade

Tempo de leitura: 4 minutos
O cérebro pode ser domado como o corpo.
Existem exercícios para adquirir confiança e controlar o estresse e as emoções

 

PODE SER um garoto qualquer da periferia, de família desestruturada, criado nas humilhações da vida em uma sociedade profundamente preconceituosa, com uma alimentação pobre, os dentes estragados, o dia na rua chutando bola.

Quinze anos depois, milhões de telespectadores estão à beira de um ataque de nervos com os olhos e alma cravados nele, uma escultura perfeita adornada com um diamante de mais quilates que a idade de sua orelha e um penteado brilhante como sua Ferrari.

Final de um grande torneio, cobrança de pênaltis.

As arquibancadas explodem em gritos e insultos, os figurões se agarram ao dinheiro, uma enorme quantia depende desse chute; seus companheiros cobrem a cara para não vê-lo.

Ninguém gostaria de estar em seu lugar.

O garoto da periferia avança firme e cabisbaixo em direção ao ponto exato.

Ali está sozinho com a bola diante do abismo do gol.

Tudo ao seu redor está desconjuntado, menos sua cabeça, uma máquina fabulosa que ordena executar sobre a bola a força e o efeito exatos que enfraqueçam o formidável goleiro.

E balança a rede. Ou não. Isso é o de menos agora.

Aqui importa o poder psicológico, a força mental que se apresenta para cobrar esse pênalti decisivo.

O caminho de anos de treinamento físico e mental percorrido por um garoto ou uma garota qualquer até chegar à elite.

 

As grandes vitórias são psicológicas.

Isso sabe muito bem Rafael Nadal, muitas vezes fisicamente destroçado na quadra da qual saiu campeão graças a sua formidável cabeça.

Muito poucos nascem com qualidades físicas ou mentais extraordinárias, mas, com um bom treinamento, quase todos podemos ser excelentes em nossas qualidades; sem ele, nem o mais virtuoso se destaca.

Um dos melhores escultores de cérebros é o autor do livro El Entrenador Mental, Juan Carlos Álvarez Campillo, psicólogo especialista em liderança e treinamento dos melhores atletas e altos executivos da Espanha.

Com eles, trabalha três elementos essenciais: autoconfiança, controle do estresse e gerenciamento de emoções para alcançar seus objetivos.

 

 

Os exercícios para treinar esses poderes são simples

Mas, como em todo treinamento, é preciso começar de baixo, sem forçar, e diariamente.

“Tudo se aprende. A mente pode ser treinada como o corpo, e há exercícios para isso, como há para chutar pênaltis”, explica Campillo.

Para alcançar um objetivo, é preciso recordar realizações do passado, fixar-se nos desafios superados ao longo da vida. Isso reforça um pensamento essencial: “Eu sou bom. Eu posso fazer isso”.

Assim se conquista a autoconfiança.

Depois é preciso treiná-la com pequenas metas de curto prazo.

Coisas de muito pouca dificuldade que não admitam desculpas e criem um hábito.

Graças à plasticidade de nosso cérebro, isso gera conexões neurais que reforçam a ideia de que somos capazes.

É importante afastar as ideias que destroem este trabalho: não vai dar certo, não tenho tempo …

“Nós temos um sabotador interno que, quando a gente se descuida, começa a minar a confiança”, alerta Campillo,

“E é necessário desativá-lo sem tentar evitar o pensamento, porque isso é impossível. Você tem que trabalhar nisso e se convencer de que esse não é você em seu melhor estado, que outras vezes você demonstrou que pode. Voltar a si, ao que você realmente é, ignorando essas ideias ou as opiniões dos outros. Concentrar-se na sua meta, observar suas conquistas e confiar em seu trabalho e seu talento. Porque esses pensamentos geram muitíssimo estresse, e neutralizá-los fortalece a confiança e mantém longe essa tensão”.

 

O controle da pressão e da ansiedade é outra força essencial.

Essa habilidade é obtida à base de exercícios respiratórios, concentração e relaxamento.

A atenção plena, estar concentrado na bola e não nas arquibancadas, pensar no aqui e agora, e não nas circunstâncias que nos rodeiam.

O estresse é a resposta do organismo à antecipação do futuro imaginado como ameaçador.

Por isso, é importante focar no presente e visualizar apenas as realizações futuras, nunca erros, experimentando como alguém se sentiria nesse momento de êxito.

E o aqui e agora implica administrar um fator importante na psicologia: detectar o que pode e o que não pode ser controlado e concentrar-se em trabalhar no primeiro.

“Ninguém pode controlar o resultado de um jogo, mas pode, sim, chegar descansado, bem alimentado, em forma, com boas relações com os companheiros de equipe e em seu relacionamento amoroso, e confiando em seu talento”, explica Campillo.

 

Comer bem, descansar, manter relacionamentos emocionais satisfatórios …

Isso deve ser trabalhado todos os dias, como se faz com o bíceps, com base no hábito.

Mas você não pode manter essa disciplina sem o grande motor: a motivação.

“É preciso visualizar para poder sentir como seria conseguir algo que nos faça vibrar, nos faça feliz, e uma vez que no conectemos com isso, imaginando-nos lá, já temos a motivação. A partir desse momento, é necessário planejar os passos para, pouco a pouco, chegar lá “, aconselha o treinador.

“Se essa meta vai ser alcançada ou não, ninguém sabe. Mas é certo que com esse treinamento chega-se ao máximo que cada um pode dar”, garante Campillo.

Afinal, trata-se disso, de viver com desafios e esperanças, de remar a nosso favor e ganhar o troféu de ser a melhor versão de si mesmo.

 

Postado na El País.


Concorda?

 

Umberto Eco (1932-2016) disse que as redes sociais possibilitaram o surgimento — e quiçá uma hegemonia — de uma “legião de imbecis”.
Fundindo a Cuca

A marcha da insensatez: Redes sociais estão destruindo a sociedade civil

Tempo de leitura: 4 minutos
Umberto Eco (1932-2016) disse que as redes sociais possibilitaram o surgimento
— E quiçá uma hegemonia — de uma “legião de imbecis”.

 

Antes, concentrados em bares, tomando vinho ou cerveja,

Falavam sem prejudicar a coletividade. Normalmente, eles [os imbecis] eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.

O escritor e filósofo italiano sugere que os jornais filtrem de maneira rigorosa as informações divulgadas nas redes sociais, porque, no geral, não são confiáveis.

 

O historiador escocês Niall Ferguson — autor de livros seminais sobre a Primeira Guerra Mundial e a Segunda Guerra Mundial, além de obras sobre a decadência do Ocidente (é autor de um livro heterodoxo no qual apresenta a tese de que o colonialismo não foi lucrativo para a Inglaterra.

Trata-se de “Império — Como os Britânicos Fizeram o Mundo Moderno”, Crítica, 448 páginas, tradução de Marcelo Musa Cavallari) — segue o mesmo caminho de Umberto Eco, acrescentando sua própria interpretação.

O professor de Stanford afirma que a polarização excessiva nas redes sociais está levando a sociedade “a um estado de declínio que só pode ser qualificado de “incivilidade”.

Suas interpretações foram colhidas pelos repórteres Ana Paula Ribeiro e Gustavo Schimitt, de “O Globo”.

 

A minha preocupação hoje é que a sociedade civil foi tão erodida pelo advento das redes sociais que não podemos mais falar em sociedade civil.

Os Estados Unidos se tornaram uma sociedade não civilizada. A polarização se tornou um veneno.

Eu me pergunto se a civilização não está se tornando algo diferente, em uma não-civilização ocidental, critica Niall Ferguson.

Dirigentes do Facebook e do Twitter não estão, sugere Niall Ferguson, minimamente preocupados com a extensão do dano que está acontecendo no tecido social.

 

Quanto mais barbárie, produzida ou não pela tensão ideológica, mais pessoas circulam pelas redes, aumentando seus ganhos financeiros

Uma das consequências das redes sociais gigantes é a polarização. As pessoas se agrupam em grupos de esquerda ou de direita. O que notamos é um maior engajamento em tuítes de linguagem moral, emocional e até obscena. As redes estão polarizando a sociedade, produzindo visões extremistas e fake news, frisa o historiador.

Há quem compare Donald Trump a Ronald Reagan, a Bush pai e a Bush filho. Apesar das limitações dos três, notadamente dos dois Bush — Reagan revelou-se um estadista muito superior ao que esperava a intelligentsia internacional —, Trump é muito mais despreparado.

Sua visão de política global é unicamente americana, não incorpora nem parte das ideias de seus “aliados”.

Império que se comporta tão-somente como nação isolada, como Estado fechado, não tem futuro, às vezes nem presente.

 

Por que um político com escassa visão mundial se tornou presidente dos Estados Unidos?

É provável que as redes tenham contribuído para a vitória de Trump.

Pode-se não gostar de Hillary Clinton, mas não há dúvida de que é mais qualificada do que o presidente republicano.

A vitória de Trump resulta da hegemonia do provincianismo dos Estados Unidos — país que é, a um só tempo, cosmopolita e caipira.

A rigor, Niall Ferguson não discute isto, mas sublinha que a exposição de Trump era muito maior do que a de Hillary Clinton — inclusive em Estados considerados democratas.

Tudo indica, portanto, que as redes sociais funcionaram, sobretudo para o candidato republicano. Niall Ferguson afirma que os analistas de campanhas eleitorais devem ficar atentos às redes sociais.

Porque o comportamento dos candidatos, atraindo (ou não) seguidores e engajamento, pode ser decisivo no resultado do pleito.

 

Insensatez

Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, apresenta uma tese ligeiramente diversa da de Niall Ferguson.

O professor diz que, mais do que incivilidade, a polarização está gerando insensatez nas redes sociais.

A tendência é que discursos exacerbados sejam favorecidos nas redes. E isso vai produzindo o efeito bolha: as pessoas que fazem parte delas dentro das redes são governadas por algoritmos e não pelo discernimento racional. O que é um paradoxo, porque tudo o que o Brasil precisa neste momento é de sensatez. Mas parece que os ventos favorecem a insensatez, afirma o mestre.

Não é uma visão apocalíptica, mas também não é integrada. É moderada.

Ao contrário do que diz Niall Ferguson, mais apocalíptico, Eugênio Bucci sugere cautela, pois não aposta que as redes sociais vão corromper a democracia no Ocidente.

As redes não podem ser definidas como mal absoluto. É bom lembrar que também representam um arejamento das democracias. E foram responsáveis por imprimir nova dinâmica nas relações entre a sociedade e o Estado, pontua.

O professor Fabio Malini, coordenador do Laboratório de estudos sobre Internet e Cultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), corrobora a tese de Niall Fergunson.

A incivilidade já predomina no Brasil, sobretudo no comportamento político (o que vai além do comportamento dos políticos).

A polarização é corriqueira na política. Mas, nas redes sociais, tem um modelo específico de atenção das pessoas que influi nisso. A proximidade tem sido a tônica de como algoritmos são construídos fortalecendo bolhas ideológicas, onde há atitudes impulsivas, que redundam em decisões emocionais.

 

As redes sociais são incontornáveis

Quer dizer, vão continuar (goste-se ou não, são positivas).

O mais provável é que, após uma primeira fase como terreno da barbárie, retome o caminho civilizatório, abrindo oportunidade ao debate entre indivíduos que pensam de maneiras diferentes a respeito de política, economia, cultura e comportamento. Isto, claro, numa perspectiva otimista.

No momento, tornaram-se frigoríficos de ideias, de comportamentos e de pessoas. Talvez não seja possível piorar.

 

Original na Revista Bula por EULER DE FRANÇA BELÉM.


Você concorda?
Sabe aquele "branco" nos pensamentos. Vou usando minha picareta e forçando até que algo faça sentido. Para mim e quem sabe para o lê.
Croniquetas e Papo furado

O picareta ou a picareta?

Tempo de leitura: 2 minutos
Onde buscar inspiração?
Como transformar transpiração em criação?
Tem horas que nada sai…

 

Coço a cabeça, leio um jornal velho, folheio um livro mais velho ainda, vou da cozinha ao quarto dos fundos uma dezena de vezes.

Isso sem me dar conta que com as janelas abertas algum vizinho poderia achar que estou pirando.

Já até apelei para minha superstição de molhar as mãos com a água da torneira.

Sabe-se lá a razão para eu achar que melhoro minha concentração quando o faço.

É, devo estar batendo a caçuleta mesmo.

Ainda assim nada acontece.

 

Havia lido certa vez que escrever era 90% transpiração e 10% de inspiração.

Mas ninguém me explicou o que fazer quando beiro os 100% de transpiração.

Ofegante, uma hora com assuntos aos montes e agora sem um mote.

Você, leitor insistente, poderia dizer que isso acontece porque não tenho talento.

E realmente não acho que o tenho. E ponto.

Talvez até os grandes tenham passado por momentos. 

E eu transpiro em bicas.

 

Discuto comigo mesmo por excluir de maneira definitiva dos meus textos algum estrangeirismo inútil da moda empresarial.

Daqueles que perfeitamente podem ser substituídos por uma palavra em português.

Mas que só são usados para dar alguma importância a algum procedimento antigo e hoje encoberto por penas de pavão.

(Um brainstorming resolveria?)

Quero um assunto, mas não o tenho.

Na verdade tenho vários e de fato mesmo não tenho nenhum.

Não tenho um horário estipulado para entregar nenhum artigo ou crônica, mas sei apenas que quero e preciso antes que transborde.

O transe habitual que me coloco para escrever ainda está bem distante.

 

Se fumasse certamente acenderia um cigarro atrás do outro.

Ligo e desligo o ventilador outra dezena de vezes.

Aciono a descarga mais uma centena.

Sinal de quase desespero gratuito.

Paro em frente ao teclado e travo.

Mãos em posição de ataque e daí sai uma sequência de gggggggggggggg.

Além de um sonoro “puta que pariu”.

Até o silêncio neste caso me desconcentra.

 

Tento digitando algumas palavras difíceis e tento montá-las como um quebra-cabeça.

Nada que me faça sentir que esteja fazendo contato.

Pego caneta e papel e daí, quem sabe, assim consiga algo.

Mesmo que seja insuficiente e passível da minha própria crítica feroz.

Preciso daquela sensação de que esteja falando com alguém.

Manter contato.

Talvez com as entranhas do meu pensamento abertas, coloque minha picareta para trabalhar.

Mesmo que ainda esteja na dúvida se sou um ou se a uso.

 


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