A culpada pela crise toda é a formiga
Fundindo a Cuca

A culpada pela crise toda é a formiga

Tempo de leitura: 2 minutos
Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório
E pegava duro no trabalho.

 

A formiga era produtiva e feliz.

O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão.

Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada.

E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.

A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.

Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.

A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.

Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!

 

O marimbondo concluiu que era o momento de criar
A função de gestor para a área onde a formiga produtiva
E feliz, trabalhava.

E o cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial.

A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.

A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer uma pesquisa de clima.

Mas, o marimbondo, ao rever as finanças, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.

A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía:

Há muita gente nesta empresa!

E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?

A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

 


Você já se viu nesta situação?
Conhecer “A Teoria das Janelas Quebradas” deveria ser obrigatório por Sergio Enrique Faria
Fundindo a Cuca

Conhecer “A Teoria das Janelas Quebradas” deveria ser obrigatório por Sergio Enrique Faria

Tempo de leitura: 3 minutos
Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma experiência de psicologia social e deixou duas viaturas idênticas, da mesma marca, modelo e até cor, abandonadas na via pública.

 

Uma no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e a outra em Palo Alto, uma zona rica e tranquila da Califórnia.

Duas viaturas idênticas abandonadas.

Dois bairros com populações muito diferentes.

E uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultou que a viatura abandonada em Bronx começou a ser vandalizada em poucas horas.

Perdeu as rodas, o motor, os espelhos, o rádio, etc.

Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram.

Contrariamente, a viatura abandonada em Palo Alto manteve-se intacta.

 

Mas a experiência em questão não terminou aí.

Quando a viatura abandonada em Bronx já estava desfeita e a de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores partiram um vidro do automóvel de Palo Alto.

O resultado foi que se desencadeou o mesmo processo que o de Bronx.

E o roubo, a violência e o vandalismo reduziram o veículo ao mesmo estado que o do bairro pobre.

Por quê que o vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro, é capaz de disparar todo um processo delituoso?

Evidentemente, não é devido à pobreza, é algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro partido numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação.

Faz quebrar os códigos de convivência, como de ausência de lei, de normas, de regras. Induz ao “vale-tudo”.

Cada novo ataque que a viatura sofre reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores, se torna incontrolável, desembocando numa violência irracional.

 

Baseados nessa experiência, foi desenvolvida a ‘Teoria das Janelas Quebradas’

Que conclui que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores.

Se se parte um vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão partidos todos os demais.

Se uma comunidade exibe sinais de deterioração e isto parece não importar a ninguém, então ali se gerará o delito.

Se se cometem ‘pequenas faltas’ (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade ou passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, então começam as faltas maiores e delitos cada vez mais graves.

Se se permitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando estas pessoas forem adultas.

Se os parques e outros espaços públicos deteriorados são progressivamente abandonados, depredados e pichados pelas pessoas, estes mesmos espaços são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

 

A Teoria das Janelas Partidas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York.

O qual se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade.

Começou-se por combater as pequenas transgressões:

Lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento de passagem, pequenos roubos e desordens.

Os resultados foram evidentes.

Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Partidas e na experiência do metrô, impulsionou uma política de ‘Tolerância Zero’.

A estratégia consistia em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à Lei e às normas de convivência urbana.

O resultado prático foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A expressão ‘Tolerância Zero’ soa a uma espécie de solução autoritária e repressiva.

Mas o seu conceito principal é muito mais a prevenção e promoção de condições sociais de segurança.

Não se trata de linchar o delinquente, pois aos dos abusos de autoridade da polícia deve-se também aplicar-se a tolerância zero.

Não é tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.

Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

Essa é uma teoria interessante e pode ser comprovada em nossa vida diária, seja em nosso bairro, na rua onde vivemos.

A tolerância zero colocou Nova York na lista das cidades seguras.

Esta teoria pode também explicar o que acontece aqui no Brasil com corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc.

 

Originalmente em Estudio da Mente.


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Quieto, pensativo e de boca fechada, naquele dia eu só almejava almoçar sozinho no refeitório da empresa, mas justamente nestes momentos não consigo...
Croniquetas e Papo furado

De boca fechada

Tempo de leitura: 2 minutos
Quieto e de boca fechada
Eu desejava apenas almoçar sozinho naquele dia

 

Naquele dia decidi me sentar sozinho com a intenção de não chamar atenção alguma, tanto que nem o barulho da cadeira arrastando eu produzi. 

Em dias assim prefiro comer sozinho e ouvir o silêncio que emito dos meus pensamento, porém no restaurante da firma sozinho não significa efetivamente que você consiga ficar sozinho.

Até que eu estava indo bem no meu intuito quando infelizmente levantei a cabeça e olhei para mesa em frente, onde um sujeito cismava em falar continuamente.

O problema é que ele enquanto falava também mastigava e a sua comida decididamente me olhava.

E eu não conseguia parar de olhar!

Apenas desejava que ele se calasse embora a mesa continuasse alheia a sua falta de modos.

Inacreditavelmente todos pareciam acostumados com seu hábito que me enojava.

Para piorar o assunto apareceu aos meus ouvidos, visto que ele também tinha a intenção de fazer valer sua opinião em voz alta.

 

“A Dilma é uma m…” e lá ia ele vociferar seu ódio

A minha refeição descia lentamente como venho tentando há anos, muito também porque me esforçava para não olhar para sua boca sempre cheia de comida durante seu discurso.

O assunto na mesa dele já havia mudado e eu não conseguia me desvencilhar desta imagem grotesca.

“Esse técnico da seleção é um…” brandava ele entre uma garfada e outra.

“Ela também pediu para ser estuprada, né?” vociferava ele enquanto seguia com seu festival de impropérios.

Eu já tinha me perdido nos assuntos que mudavam com intensa velocidade.

Quando caí em mim, percebi que o que realmente deveria me incomodar não era a sua refeição à mostra por entre os dentes, mas sim ele ser o retrato fiel da maioria dos que me cercam.

 

Que para tudo tem um opinião, mesmo sem se informar sobre.
Mesmo que ninguém tenha perguntado coisa alguma.
Mesmo sem se colocar no lugar do criticado.

 

E perceber que eu também fui assim e que sinto uma gigantesca vergonha quando olho para trás. 

Criticar por criticar ou apenas para amenizar algum tipo de frustração por não conseguir ser nada além do que é.

Consegui perceber ao final da minha refeição que o que verdadeiramente me incomodou foi ouvir aquilo que não imaginava poder ouvir de uma pessoa em pleno século XXI.

Ouvi e não desejei ferrenhamente ser surdo, como de hábito, apenas desejei fortemente que pessoas assim apenas não existissem.

E que eu tenha consciência plena para nunca mais ser assim.

E que saiba me manter de boca fechada.

 

Imagens por Free Images.


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Nós sempre pensamos que ignorar é um verbo passivo.Ignorância é a falta de conhecimento, um estado de desinformação ou falta de compreensão.
Fundindo a Cuca

Não nascemos ignorantes, aprendemos a ser ignorantes

Tempo de leitura: 3 minutos
Nós sempre pensamos que ignorar é um verbo passivo.
Ignorância é a falta de conhecimento, um estado de desinformação ou falta de compreensão.

 

Portanto, qualificamos uma pessoa como “ignorante” quando ela não sabe ou não entende alguma coisa.

Esse caráter passivo implica que, de certa forma, essa pessoa não é responsável por sua ignorância, ele simplesmente carrega consigo aquela “falta”.

É curioso, no entanto, que não se aplique a qualificação de ignorantes às crianças, mesmo que elas geralmente não dominem o mesmo conhecimento dos adultos.

Isso significa que a ignorância começa com um pressuposto:

Algo que devemos saber, mas não sabemos, um caminho pelo qual deveríamos ter viajado, mas não o fizemos.

Então a ignorância abandona seu significado passivo para ter um significado ativo que implica não reconhecer algo ou agir como se não fosse conhecido.

Nós caímos no que é conhecido como ignorância motivada.

 

O que é ignorância motivada?

A ignorância motivada é quando escolhemos, mais ou menos conscientemente, não saber mais, não nos aprofundar, não entender.

Essa ignorância é terrivelmente perigosa porque tende a levar a posições extremas e reduz nossa capacidade de continuar crescendo e amadurecendo.

Quando decidimos ser ignorantes, outra pessoa decidirá em nosso lugar.

Nós nos tornamos manipulados.

Goethe já havia dito: “não há nada mais terrível que a ignorância ativa”.

O filósofo Karl Popper pensava o mesmo:

“A verdadeira ignorância não é a ausência de conhecimento, mas a recusa em adquiri-lo”.

Essa ignorância motivada pode ocorrer em todas as áreas de nossas vidas.

Algumas pessoas começam a se sentir mal, mas ao invés de ir ao médico para receber um diagnóstico, elas preferem se refugiar na ignorância assumindo que está tudo bem.

Outras pessoas suspeitam que seu parceiro é infiel, mas, em vez de esclarecer suas dúvidas, escolhem permanecer ignorantes.

O mesmo acontece no nível político ou social: quando já temos uma ideia formada, optamos por não escutar ou valorizar os argumentos contrários.

 

Por que escolhemos a ignorância motivada?

Um experimento realizado na Universidade de Winnipeg e na Universidade de Illinois mostrou quão forte e irracional nossa tendência para a ignorância motivada pode ser.

Esses psicólogos recrutaram 200 pessoas e deram a elas duas opções: ler e responder perguntas sobre uma opinião (casamento gay) com as quais concordavam ou ler um ponto de vista oposto.

Aqueles que decidiram ler a opinião com a qual concordaram ganhariam $ 7; mas se eles escolhessem a opinião contrária, ganhariam 10 dólares.

Surpreendentemente, 63% das pessoas preferiram ler a opinião com a qual concordaram, rejeitando a possibilidade de ganhar mais dinheiro.eesse caso, escolhemos ser ignorantes para evitar a dissonância cognitiva.

Nós desenvolvemos uma concepção do mundo que manipula nossas idéias e crenças, e tememos que opiniões contrárias possam desestabilizar aquele castelo de cartas.

É por isso que preferimos ignorar tudo o que não corresponde à nossa visão e isso significa que, no fundo, a ignorância motivada é uma expressão de medo.

 

Como nós construímos esse medo?

O medo da nossa ignorância é uma sensação de que fomos sistematicamente “adestrados” durante o período escolar. É sobre a sensação de que não sabemos algo que muitos conhecem, por isso é melhor ficar quieto e se acomodar, disse o filólogo Igor Sibaldi.

Na escola, a ignorância é revestida com um sentido negativo.

Começa a apontar o dedo para o ignorante e isso gera um paradoxo porque, para superar a ignorância, devemos primeiro reconhecê-lo, mas não podemos reconhecê-lo por medo de ser rotulado como ignorante.

O escritor Baltasar Gracian disse que:

”O primeiro passo da ignorância é presumir saber “.

Livrar-se da ignorância não é realmente difícil, basta informar-se, mas esse comportamento é impossível para a grande maioria das pessoas porque o hábito de se sentir ignorante se tornou algo mais forte do que o desejo de aprender , segundo Sibaldi.

A ignorância se torna uma zona de conforto em que nos sentimos muito à vontade para sair.

Ou talvez nem nos sintamos tão confortáveis, mas o medo do que está fora, tudo o que desafia nossas crenças, é tão forte que nos mantém paralisados ​​naquela zona de conforto.

Assim escolhemos a ignorância.

 

Escolha saber

O ignorante não é aquele que não conhece, mas aquele que não quer saber. 

Portanto, o primeiro passo para expulsar a ignorância é desenvolver uma mentalidade de crescimento, uma mente aberta que nos permite explorar o maior número de possibilidades.

Não podemos nos livrar de nossos estereótipos e crenças da noite para o dia, mas podemos questioná-los e olhar além do que sempre consideramos garantido.

Deveria nos deixar mais receosos de morrer todos os dias em uma zona de conforto que se estreitará mais e mais do que sair para descobrir o mundo, por mais diferente ou incerta que seja.

 

Traduzido e adaptado por A Soma de Todos os Afetos, via Rincón Psicologia.


O que você acha?
Somos criticados o tempo todo!
Fundindo a Cuca

Na maioria das vezes, somos criticados por quem está fazendo menos do que a gente

Tempo de leitura: 2 minutos
Raramente seremos criticados por quem estiver fazendo mais do que nós,
Mas sim por quem estiver fazendo menos

 

O que mais fazem é julgar.
Julgar negativamente.

Muitas pessoas parecem passar o dia procurando defeitos nos outros.

Criticam a roupa, a fala, o trabalho, o modo de vida, criticam a respiração do outro.

Convenhamos, mal temos tempo de cuidar da nossa própria vida, que dirá da vida alheia.

Tem muita gente desocupada por aí.

É óbvio que, quando nos ocupamos do que realmente interessa e nos importamos com o que verdadeiramente importa, estaremos nos sentindo úteis e completos, ou seja, não perderemos tempo bisbilhotando a vida alheia ou reparando na vida do outro.

Quem cuida do que lhe cabe não se incomoda com o que os outros fazem, falam ou vestem.

Falta empatia nesse mundo e sobra gente incapaz de se colocar no lugar do outro.

E de entender que cada pessoa sente o mundo do seu jeito.

Gente incapaz de perceber quando a dor do outro ainda está lá, ou quando o outro apenas está vivendo o que bem entende, sem machucar ninguém.

Sobram críticas maldosas e vazias de conteúdo, baseadas tão somente no próprio umbigo.

 

Existem pessoas eternamente insatisfeitas.

Sobretudo com elas mesmas.

Assim, acabam não se suportando e, na tentativa de se sentirem menos mal, atacam os demais, como se diminuir o outro fosse lhes tornar maiores, melhores.

Não conseguem enfrentar os próprios erros e a isso fogem apontando supostos defeitos de quem estiver ao lado.

O único prazer desse tipo de gente é criticar.

Elencar os defeitos do mundo à sua volta enquanto esconde suas escuridões sob o tapete da ilusão.

Por isso é que, com exceção das críticas construtivas que recebemos de quem nos ama verdadeiramente, seremos criticados, na maioria das vezes, por quem faz bem menos do que nós.

Afinal quem estiver fazendo o mesmo tanto, ou mais, não terá tempo para perder com ninguém nem com nada além da própria felicidade.

É isso.

 

Originalmente em  Conti Outra.

E você concorda?
Você já percebeu o quanto somos engolidos pela rotina do dia a dia? Esta crônica mostra um pouco da minha e o quanto não nos percebemos nela.
Croniquetas e Papo furado

Crônica do copo cheio e vazio

Tempo de leitura: 3 minutos
Crônica em um dia de percepção da sua própria realidade.
Ou da sua, quem sabe?

 

Chegou ao ponto de ônibus debaixo de uma garoa fina bem diferente daquela chuvarada que inundou a cidade uma semana antes.

Essa era uma chuvinha que só serve pra irritar depois de um dia inteiro de trabalho.

Pouca água para abrir o guarda-chuva e muita água para deixá-lo na mochila.

Isso sem falar que por estas bandas o trânsito para ao menor movimento das nuvens.

E sabemos que de fato não precisa de motivo algum para o trânsito empacar.

“Grandes merdas morar na cidade…” Resmungou para dentro.

Em dias assim sempre se imaginava morando na roça e instantes para estes refugos de imaginação ele tinha de sobra já que esperaria ainda muito tempo pelo coletivo.

Sabidamente trocaria o barulho dos carros pelo cricrilar dos grilos.

 

Cansado estava do dia de trabalho.

Cansado estava de ser apenas mais um número na sua empresa.

Cansado estava da certeza de que só num ato de loucura poderia mudar algo na sua rotina.

E havia inclusive definido loucura como ato não compreendido e invejado por aqueles que não tinham coragem em fazê-lo.

Ou seja, ele.

Nesse dia se auto proclamou filósofo de ponto de ônibus.

 

Imaginou como seria se ganhasse na loteria.

Certamente ajudaria aqueles que se mantiveram próximos durante a míngua e em seguida sumiria do mapa.

Sairia por aí para descobrir o mundo, conhecer pessoas novas e poderia enfim comer sem a preocupação do dinheiro durar o mês inteiro.

Iria provar tudo.

Tudo que seus quarenta anos de salário mínimo não permitira e decerto não precisaria perder este tempo todo no trânsito.

Ou esperando pela condução ou apenas esperando.

Queria aprender na prática o sentido do verbo VIVER.

 

Finalmente chegou o lotação uns 45 minutos depois.

Conseguiu ir sentado por já se tratar de nove da noite e poucos ainda voltavam pra casa.

Se sentou no assento da janela e passou a observar os carros desfocados pela chuva enquanto procurava entender como que ele que trabalhava tanto não tinha dinheiro suficiente para comprar um.

Nenhum velhinho sequer.

Isso sem falar em toda insanidade de gastos que são impostos ao adquirir um.

Tentou divagar sobre como seria não ter que pagar nada ao governo.

Deu uma risada de canto de boca, balançou a cabeça negativamente e voltou seu olhar para janela.

 

Com os olhos cerrados procurou desanimadamente por pensamentos bons.

Se esforçou bastante, entretanto estava tão esgotado que decide finalmente fechar completamente os olhos para tentar acalmar seus pensamentos e esfriar a cabeça.

Se agarra a sua mochila surrada e assim que abaixa as pálpebras um já veterano vendedor de doces entra no ônibus:

“Desculpe incomodar o silêncio da sua viagem…”. 

Sem mexer os lábios responde a ele não se preocupar.

Isso porque na sua cabeça estava um fuzuê que ele não conseguia concatenar muitos raciocínios de maneira lógica.

E que tipo de justiça nos rege em que faz este senhor a esta hora ainda trabalhar?

 

Entre um solavanco e outro proporcionado pelo estado precário do asfalto se imaginava longe dali.

E se recordou da brisa do mar que sempre o acalmava e o fazia voltar à infância ao passo que se percebeu procurando por pequenas compensações quando estava se sentindo sozinho como naquele momento. 

Ora um vinho barato em promoção no mercado, a cervejada com colegas de trabalho ou a vitória do seu time no domingo.

E agora não sabia lidar com as incertezas cada vez maiores da meia idade que sempre fingiu não existir.

Sendo que estava também cansado de ouvir sua mulher dizendo que ele era ingrato e que deveria enxergar as coisas boas que aconteciam em sua vida.

Que tudo se limitava ao copo cheio ou vazio.

Só não sabia como enxergar aquele copo.

Se cheio por que não conseguia degustar seu conteúdo?

Se vazio como nunca conseguiu enche-lo?

 


Se identificou?
Darwin: o homem que matou Deus
Fundindo a Cuca

Darwin: o homem que matou Deus Por Alexandre Versignassi e Rodrigo Rezende

Tempo de leitura: 3 minutos
Sempre há quem reclame, mas nada muda um fato:
Ele desvendou o maior mistério da biologia,
E tornou dispensável a ideia de criação divina

 

E Charles Darwin criou o homem.

Ou, pelo menos, inventou o que hoje nós conhecemos como homem.

Antes dele, éramos o centro do Universo, a obra sublime da criação.

Agora somos apenas mais uma entre milhões e milhões de espécies, um bicho de origem nada especial.

Nada mesmo: a Teoria da Evolução deixou claro que todas as formas de vida que já pisaram na Terra são filhas da mesma tataravó – uma simples molécula.

Assim, mostrando como a vida evolui, Darwin dispensou Deus do cargo de criador e seus seguidores do século 21 querem fazer algo ainda mais chocante: mostrar que não passamos de escravos a serviço dos verdadeiros donos deste planeta.

Ah, tem mais: a teoria de Darwin pode ter desvendado o segredo dos buracos negros e mostrado não só que deve haver vida fora da Terra mas em universos paralelos também.

Quer saber como?

Então vamos embarcar no velho Beagle.

Primeira escala: o inferno.

 

O inferno de Darwin

O solo repleto de lava negra estava coberto de lagartos e tartarugas monstruosas.

Caranguejos escarlates corriam por todos os lados.

O calor era tão forte que atravessava as botas e queimava os pés.

Cercado por uma vegetação composta de cactos de 3 metros de altura, girassóis do tamanho de árvores e arbustos desfolhados, Darwin escrevia em seu diário:

“A superfície seca e crestada, aquecida pelo sol do meio-dia, deixava o ar abafado, quente como em um forno.Tínhamos a impressão de que até os arbustos cheiravam mal”.

“Esse lugar é o inferno!”, dizia Robert FitzRoy, capitão do navio de pesquisas Beagle, que levara o jovem Charles Dar­win às Galápagos, um arquipélago no oceano Pacífico.

FitzRoy queria um cavalheiro a bordo para lhe fazer companhia.

E o abonado Darwin, de 22 anos, acabou escolhido, principalmente porque estava estudando para virar padre – mas também porque FitzRoy gostou do formato do nariz dele, que “sinalizava profundidade de caráter”.

 

O capitão tinha dois objetivos para a viagem

Um a serviço do Império Britânico: mapear a costa da Patagônia.

Outro, pessoal: encontrar provas científicas de que o mundo tinha sido criado de acordo com o que está na Bíblia.

Mal sabia ele que o assassino de Deus estava a bordo.

A paisagem infernal das Galápagos, onde aportaram em 15 de setembro de 1835, após quase 4 anos de expedição, era um paraíso para Darwin.

Ele pintou e bordou com tudo o que pôde naquele lugar perdido no tempo.

Pegou carona nas tartarugas (“Era difícil manter o equilíbrio.”), tirou onda com as iguanas (“Ela ficou olhando para mim como se quisesse dizer: Por que você puxou a minha cauda?”) e encheu o bucho de iguarias exóticas (“Tatu é um prato excelente quando assado em sua carapaça.”).

 

De quebra tirou de lá a inspiração para a ideia mais importante e assustadora da história da ciência

O gatilho para esse pensamento veio quando ele percebeu diferenças instigantes entre os bicos de uma espécie de passarinho das Galápagos, os tentilhões.

Em uma ilha eles tinham bicos grossos, bons para quebrar nozes.

Em outra, longos e finos, ideais para arranjar comida em frestas.

Darwin imaginou que aquelas aves deviam ter se adaptado de algum jeito.

Por mágica? Não: por um processo de seleção que levou gerações.

 Em ambas as ilhas teriam nascido pássaros de bico fino e de bico grosso.

Naquela onde havia nozes para comer, só estes últimos teriam sobrevivido.

A partir desse raciocínio simples, nascia um monstro.

 

Originalmente na Revista Super Interessante.

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"O sentido da vida é aprender a lembrar que hoje pode ser o último dia", diz jornalista que largou direção no Yahoo! para se dedicar a sebo de livros.
Fundindo a Cuca

O sentido da vida é aprender a lembrar que hoje pode ser o último dia Por Gabriela Gasparin

Tempo de leitura: 4 minutos
Ricardo Lombardi, jornalista que largou direção no Yahoo!
Para se dedicar a sebo de livros, fala sobre o sentido da vida.

 

“O sentido da vida é aprender a lembrar que hoje pode ser o último dia”.

Diz o jornalista que largou direção no Yahoo! para se dedicar a sebo de livros.

No final de 2014, o jornalista Ricardo Lombardi, de 44 anos, largou o cargo que tinha de diretor de conteúdo do Yahoo! para se dedicar à venda de livros usados em um sebo montado na garagem da casa de sua mãe.

A corajosa decisão dele, que inclui a redução dos gastos mensais em 70%, me fez ir até lá para entrevistá-lo, curiosa para saber o que ele responderia sobre o sentido da vida.

Cheguei no endereço onde fica a simpática loja de livros usados, chamada Desculpe a Poeira, em Pinheiros, no meio da tarde onde Ricardo estava sentando numa mesinha na calçada do sebo, tomando um café e escrevendo no notebook.

 

Na mesa, um livro e uma revista

E ao redor dele, duas bicicletas: uma para uso pessoal e outra adaptada com caixas para carregar livros.

A cena denunciou uma intenção que o jornalista em seguida me confirmaria verbalmente:

A busca por simplificar a vida.

 

“Acho que simplificar é uma palavra interessante para mim.

O mundo em que a gente vive é de muito consumo, as próprias escolhas são voltadas para o consumo.

A gente tem que ter um celular melhor, e a tendência é sempre trocar as coisas por algo melhor ou superior.

E acho que falta um pouco aquele momento que você para e pensa, eu preciso disso? Preciso dessas coisas?

Eu preciso desse tênis, dessa roupa, desse celular?

Se questionar um pouco mais acho que você consegue simplificar a sua vida e sua escolha também.”

 

Eu perguntei a ele o que o moveu para apostar na mudança.

E Ricardo explicou que a escolha tem a ver com uma fase de ter mais tranquilidade na vida.

Comentou, ainda, sobre a percepção de que o tempo é finito.

Em 2013, num curto período, a filha dele nasceu e seu pai morreu.

Apesar de os dois fatos não terem relação direta com sua decisão de mudar a rotina, a experiência de vivenciar quase no mesmo tempo o nascimento e a morte fez com que ele refletisse mais sobre o sentido de sua existência.

 

“Você começa a perceber que vai envelhecer, que as coisas vão passar, que você não vai poder voltar para fazer coisas que deixou de fazer.”

 

E foi essa sensação que o motivou a pensar que poderia fazer coisas que dão mais sentido para ele.

De forma a passar mais tempo com a família, citando a mãe, a esposa e dois filhos.

Eu acho que a gente vai ficando mais velho e vai percebendo que andar de bicicleta é mais saudável, que andar a pé é mais saudável, que você pode se vestir de forma mais simples, se alimentar de forma mais simples e saudável, aproveitar mais as coisas que não custam nada.

Para ele, o sentido da vida é “viver plenamente” e saber que as questões de hoje é que precisam ser colocadas na mesa, já que o passado já foi e o futuro ainda não aconteceu.

“Acho que cada um precisa entender a sua participação no mundo.

Para mim, o sentido sempre foi viver o presente.

É aproveitar o dia e tomar as decisões naquele dia como se fosse o último da sua vida, porque você não sabe o que vai acontecer, você pode escorregar numa casca de banana ou você pode ser diagnosticado com uma doença incurável.

É um erro você projetar muito para o futuro. “

E completou:

“O sentido da vida, acho que é aprender a lidar com a questão do presente, aprender a sempre lembrar que hoje pode ser o último dia.

 

Vida no jornalismo

A mudança de vida não aconteceu de uma hora para outra.

Na verdade, o que Ricardo fez foi sair do emprego para poder se dedicar a um projeto pessoal que toca há alguns anos.

Desde 2007, ele tem um blog chamado Desculpe a Poeira, hoje hospedado no site do Estadão, onde dá dicas e sugestões de leituras.

Em 2013, numa viagem à Argentina, viu um sebo que despertou nele a ideia de criar, em suas próprias palavras, a “extensão analógica” do blog.

Pensei, e se eu fizesse um sebo com edições que eu gosto ou que alguém gostou, deu para mim e eu posso passar adiante?

Eu tive essa ideia e pensei nessa garagem, que é da minha mãe. Falei, vou colocar em prática.

Na época, o jornalista era diretor da revista VIP e trabalhava de segunda a sexta-feira.

Foi nos finais de semana que ele mesmo reformou e transformou a pequena garagem da mãe no simpático sebo.

Primeiro eu pintei, coloquei as luminárias, fiz as prateleiras, o móvel, tudo. Até esse banquinho eu fiz, disse, me apontando para um pequeno banco de madeira – a reportagem do Draft explica que ele fez cursos de marcenaria.

 

Desapego!

O desprendimento com relação aos bens materiais começou nessa época, inclusive. Ricardo percebeu que para tornar o sebo realidade precisaria desapegar do próprio acervo pessoal de livros.

Toda a minha biblioteca que eu tenho está aqui. Eu não queria me livrar dela, mas isso aqui só seria possível se eu começasse com ela.

Em setembro de 2014, a ideia do sebo já estava formatada o suficiente e ele viu que o projeto precisava de mais tempo e dedicação para ganhar força.

E foi por isso que resolveu sair do Yahoo!.

 

“Eu acho que quando você tem um projeto em que acredita, você precisa gastar toda a sua energia nele, e não dividir em várias atividades, fracionar seu dia e sua energia, esse é meu modo de pensar.”

 

Para que a mudança fosse possível ele vendeu o carro, mudou o estilo de vida e cortou seus gastos em 70%.

Eu perguntei a ele se estava fazendo falta:

“Não, até agora não fez falta.” Ricardo estava vivendo de sua poupança, mas acreditava que dentro de um ano o sebo começaria a dar retorno financeiro.

 

Percepção

“A beleza da nossa vida é que a gente pode fazer o que a gente quiser.

A gente pode nascer de novo.

Mudar de profissão.

Reformular.

Ou reformatar a nossa vida de outro jeito, que faça mais sentido naquela fase especifica.

Eu não estou dizendo que é errado gastar dinheiro com roupa ou comer em restaurante caro, eu não acho errado.

Você tem que saber que aquilo se encaixa com aquela fase da vida que está vivendo.

Na minha fase atual, eu prefiro ter uma vida mais simples.

Prefiro ganhar menos, e gastar mais tempo com as pessoas que eu gosto.

Essa é a maneira que eu acho que pretendo gastar meu empo no resto dos dias.”

 

Texto originalmente na Revista Contioutra.

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A maneira como você lida com seu tempo diz quem você é hoje? Nesta despretensiosa crônica carioca vivida em um diálogo mudo vemos o tempo passar.além daquele que desperdiçamos
Croniquetas e Papo furado

Quanto tempo ainda temos além daquele que desperdiçamos?

Tempo de leitura: 3 minutos
 Muito tarde ou muito cedo?
Acordando ou indo dormir?
Cabeça martelando de pensamentos vagos ou de arrependimentos?

 

Sentou ao lado de Drummond às 5 da manhã de uma segunda-feira qualquer e reparou que os seus sempre depredados óculos de bronze ainda estavam no seu lugar.

Imóvel, assim como seu parceiro de banco, desta vez não queria muita conversa pois tentava, depois de vários copos de cuba, entender a razão de ainda estar na rua desafiando as estatísticas de assaltos em Copacabana.

Sabia que era a companhia recorrente da insônia que ocupou lugar desde o nascimento do primeiro filho há 33 anos.

 

Pensava muito sobre o tempo e como não o percebeu passar.

Se lembrava vagamente da sua infância que de tão distante parece ser em outra vida.

Recordou do primeiro beijo, da primeira foda e da primeira vez que pensou estar amando. 

Em um momento era um pai muito jovem que mal sabia trocar sua primeira fralda e no outro já sentia o vazio no topo da sua agora reluzente careca.

Compreendeu de cara que o passar do tempo trazia solidão, já que alguns bons amigos se foram, os filhos se casaram e a esposa hoje é ex.

Sobrou para ele a liberdade de estar na rua no horário que quisesse.

Sem dar nenhuma satisfação.

Drummond parecia concordar em tudo com um imaginário balançar de cabeça que seguia o ir e vir das ondas.


 

Foto de Alex Ribeiro/ Agência O Dia CIDADE

Amanhecer na cidade. Foto de Alex Ribeiro/ Agência O Dia CIDADE


Mesmo inebriado conseguiu perceber que poucos entendem que estamos sempre no presente e que a cada segundo o presente se transforma em passado.

E daí concluiu que o passado só existe nas nossas memórias e o futuro aparece na nossa imaginação e ansiedade.

Confirmou a percepção de que hoje o relógio corre mais rápido a ponto de não percebemos mais o que difere o passado (cada vez mais distante para trás) e o futuro (cada vez mais distante para frente).

Colocou a “culpa” na quantidade de informações que recebemos minuto a minuto e no ritmo acelerado que levamos nossas atribuições.

Não sobrava tempo algum para o ócio criativo e dessa maneira não se sentia em nada produtivo. 

 

Armou uma pergunta pro seu companheiro de banco, mas logo desistiu…

Percebeu que mesmo acompanhado estava sozinho exatamente como se sentia em todo lugar.

Notou que o futuro chegava a cada segundo e que o tempo deixava para trás o que ele tinha percebido como presente.

Ah! e que os filmes de ficção científica hoje não eram somente ficção e sim uma quase realidade.

 

Futuro Presente PassadoFuturo Presente Passado

Presente Presente Presente Presente Presente…

 

Mas o futuro chegou bater na porta e consequentemente ele se percebeu envelhecido.

E também que seu tempo sempre foi precioso, mesmo que ele não o tenha tratado tão bem quanto merecesse.

Se arrependeu das tantas brigas que comprou, do pouco sexo que julgava ter feito, das viagens que queria ter feito e da monocromia da vida que levava

E também de tudo que achava não ser mais possível fazer.

Estava e se sentia “velho”.

Ponto!

Se lembrou do termo “tempo é dinheiro” e como vendeu o seu por tão pouco.


Quanto tempo ainda temos


Muitas vezes corria tanto com obrigações, horários e com seu pouco tempo para “fazer tudo” que se esquecia do prazer.

Prazer em curtir sua família, prazer em perceber o sabor da comida.

Ou em simplesmente observar o céu que hoje ele dividia com seu elegante confidente.

Quem sabe perceber a brisa leve que trazia a maresia para se embaralhar como efeito do álcool.

Percebeu que vivia aprisionado ao relógio que era aquele mesmo que corria contra ele e consequentemente descobriu que o nosso tempo tem um fim, mesmo que em si ele não cesse.

Se sentiu enfim reconfortado já que percebeu que a finitude é a possibilidade de recomeçar.

Ficou sem jeito e com vergonha de perguntar se Drummond tinha escrito algo sobre o tempo.

Achou melhor não falar nada, afinal não teve tempo de ler nada dele. 

 


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