Picareta

Picareta

Onde buscar inspiração?
Como transformar transpiração em criação?
Tem horas que nada sai…

 

Coço a cabeça, leio um jornal velho, folheio um livro mais velho ainda, vou da cozinha ao quarto dos fundos uma dezena de vezes sem me dar conta que com as janelas abertas algum vizinho poderia achar que estou pirando.

Já até apelei para minha superstição de molhar as mãos com a água da torneira.

Sabe-se lá a razão para eu achar que melhoro minha concentração quando o faço.

É, devo estar batendo a caçuleta mesmo.

Havia lido certa vez que escrever era 90% transpiração e 10% de inspiração.

E quando você beira os 100% de transpiração?

Você, leitor insistente, poderia dizer que isso acontece porque não tenho talento. E realmente não acho que o tenho. E ponto.

Tenho transpiração.

Discuto comigo mesmo por não saber esperar o momento certo.

Quero um assunto. Mas não o tenho.

Na verdade tenho vários. E nenhum de fato.

Quando vem algo a mente logo some. Não sei sobre o que escrever.

Ou seja, não deveria ser bom o suficiente para se manter em minha consciência e em sequência desenvolvê-lo.

Não tenho um horário estipulado para entregar nenhum artigo ou crônica, sei apenas que quero e preciso.

Mas não consigo entrar no transe habitual que me acho ao encontrar as letras.

Não sei o assunto. Mas sei que quero e preciso.

Se fumasse certamente acenderia um cigarro atrás do outro.

Ligo e desligo o ventilador outra dezena de vezes. Aciono a descarga mais uma centena. Sinal de desespero gratuito. Paro em frente ao teclado e travo. Digito algumas palavras difíceis e tento montá-las como um quebra-cabeça.

Nada que me faça sentir que esteja fazendo contato.

Pego caneta e papel, quem sabe assim consiga.

Preciso daquela sensação de que esteja falando com alguém.

Manter contato.

Talvez com as entranhas do meu pensamento abertas, coloque minha picareta para trabalhar.

E sigo escavando até que algo apareça ou que chegue à China.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.