Qual é a boa do meu fim de semana
Croniquetas e Papo furado

Qual é a boa do meu fim de semana?

Tempo de leitura: 2 minutos
Qual é a boa do meu fim de semana?

 

Ouço esta pergunta com frequência e com o mesmo desânimo que tenho em sair de casa relato os porquês.

Ou se preferir o porquê.

Na verdade sinto preguiça.

Não apenas de sair de casa em si.

 

Eu tenho sentido preguiça das pessoas.

 

Da necessidade que muitos sentem em se impor.

Dos vários assuntos vazios. Do nada a dizer.

Do balançar de cabeça concordando bovinamente com vários absurdos que ouço enquanto a regra de boa educação não me permite falar nada.

Ou mesmo discordar mesmo que polidamente.

Ou mesmo expor outro ponto de vista.

Dos berros travestidos de conversas quando o álcool começa a agir no comportamento dos presentes.

Da insistência em brigas políticas quando nas minhas raras saídas intenciono apenas relaxar e jogar conversa fora.

 

Fico com receio da minha falta de paciência criar indisposições. 

Melhor manter a boa vizinhança, né?

Hoje tenho preguiça também em argumentar.

 

Ouço com aprazada frequência as perguntas:

 


“Mas você não se sente só?”

Sinceramente?

Não.

 

“Mas você vai ficar pra sempre dentro de casa?”

Sem dúvida que não!

Sei que é uma fase  e que já passei por ela algumas vezes.

 

“Você não sente falta dos seus amigos?”

Sinto sim.

Mas até para manter intacta boa parte destas amizades meu recolhimento tem contribuído.


 

Algumas pessoas demoram mais a se entender e eu sou um destes.

Finalmente eu compreendi que esse meu recolhimento faz parte do meu modo de agir e hoje me respeito neste aspecto.

Se me sinto triste eu me recolho.

Se enxergo que possa me aborrecer eu me recolho.

Se prefiro não me aborrecer eu me recolho.

 

Minha casa é meu castelo e aqui não me sinto sozinho se tenho alguma série ou algum filme interessante, se posso escrever e me expressar em ideias, se tenho cerveja na geladeira ou se posso tocar baixo. 

Definitivamente não nesta ordem.

Em casa gosto de produzir, de escrever, de estudar para ganhar mais assuntos e tudo isso que listei faço com muito prazer e que chamo caprichosamente de trabalho.

Os trabalhos que me dão prazer ou o prazer que identifico nestes trabalhos?

 

Quando me perguntam qual seria a boa do fim de semana?

Mentalmente eu respondo:

Fazer de tudo para me sentir bem.

 

Foto por Csaca Szabo no Free images.

Comente, deixe sua opinião e compartilhe!

 

Facebook Comments

Posts Relacionados

Com a mente absolutamente vazia Estava longe do meu estado mental habitual. Com a mente absolutamente vazia   E acompanhado apenas do meu copo de vinho barato finalmente me...
Isso não está certo Isso não está certo! Quando leio um texto me pergunto:   Quem é a pessoa por trás destas palavras? Quais influências esta pessoa passou par...

Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.