Queria, quero e sempre quis

Queria, quero e sempre quis

Assumir derrotas de agora como vitórias em um futuro próximo é um dos passos que mais me apego
E como aprendizado não o deixo cair em desuso ou esquecimento

 

Queria me esvaziar de toda e qualquer preocupação e me despir de toda a vergonha que sinto por mim e muitas vezes pelos outros.

Tá bom, eu sinto vergonha alheia.

Quem sabe rodopiar nu em um dia de temporal na rua, gritando a plenos pulmões: “Eu me fodi!”.

Ainda que saiba que perdas e ganhos se confundem no âmago da minhas emoções.

E principalmente neste momento que seria só meu.

 

Quero ser modesto, rotineiro e de traços grosseiros como A Arlesiana, figura de olhar entediado sem muito parecer saber a razão de posar para um pintor, parecendo acreditar que tinha pouco a oferecer em termos de inspiração.

Exatamente como me sinto, sem algo a oferecer.

Sempre quis imaginar como seria cultuar o silêncio e a tranquilidade numa Avenida Presidente Vargas vazia e abandonada às 17 horas de uma sexta-feira.

Como se existisse algo parecido.

 


Imagem do site: http://www.libertacaoconsciente.com/


Queria entender o ato de sofrer como uma passagem necessária para então compreender onde errei.

E também se há algo que posso fazer para corrigir.

Quero amar quem acho no espelho toda manhã.

Mesmo me achando o mesmo todos os dias.

Ainda que saiba que mudo um pouco todos os dias.

 

Sempre quis compreender que por uns tempos ficar comigo mesmo não implicaria em discórdias e desconfianças e que ninguém pode gostar de mim mais do que eu mesmo.

Queria, quero e sempre quisme achar dentre os muitos que habitam comigo.

Mas por enquanto tenho a mim.

E basta.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.