Sinto saudade sinto

Sinto saudade sinto

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Do cafuné.

Sinto falta das sessões de filmes na TV aos domingos de tarde.

Com pipoca, lógico.

Falo daquele cafuné que nem se sente quando acaba porque você cochilou antes.

Sinto falta de avaliar uma lingerie recém comprada para alguma ocasião especial e de tira-la mentalmente seguidas vezes.

Do cheiro de sexo que se entranhava nas cortinas e em minha mente.

De namorar escondido e dos longos beijos roubados.

Sinto falta demasiada em andar de mãos dadas como um casal de velhinhos celebrando bodas de jequitibá.

De dizer (e acreditar) convictamente que não existe nenhuma celulite à mostra.

Sinto falta de ter uma única pessoa. Mesmo que dividida em várias.

Da milésima vez do primeiro beijo e da voracidade de todos eles.

Sinto falta da vontade em deixá-la nua só em ouvir sua voz.

De pelo menos tentar entender o incompreensível que toda mulher traz consigo.

Sinto falta de discordar apenas para fazer as pazes depois.

Do perfume barato que quando sentia me fazia levantar as orelhas como um cão farejador.

Sinto falta das trocas de vestido até que algum ficasse exatamente perfeito para aquele dia.

Do olhar de menina manhosa pedindo conchinha.

Sinto falta dos telefonemas no meio da madrugada apenas para dizer o quanto sentia minha falta.

Sinto falta do que sempre quis ter.

E talvez nunca tenha tido.

E do que tive.

Sinto falta sinto.

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista da banda de rock Diabo Verde, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.