Sufocando minha raiva terminal

Sufocando minha raiva terminal

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Ela já tinha avisado e só eu não percebi.

Nunca a percebi.

E hoje fico assustado com a quantidade de avisos.

Discretos, como ela própria era.

Mas eram avisos.

Nítidos e notórios.

Ela, talvez só precisasse que eu estivesse ali.

E eu não estava.

Nunca estive.

Sequer percebi que não apareceria na foto.

Nunca apareci em nenhuma foto.

E hoje me culpo pela falta presente

E pelo presente que vez por outra sinto falta.

 

Ela já tinha avisado e só eu não percebi.

Nem mesmo a ouvi.

A abandonei mesmo estando ao seu lado.

Como a um brinquedo de que se enjoa.

Nem mesmo percebi as cartas que ela escrevia.

Eram todas para mim.

Tinham meu endereço!

Mas nunca as abri.

Todas avisavam e nem percebi os tantos que queriam recebê-las em meu lugar.

Só eu que não.

 

Para ela só deixei a raiva terminal de quem joga no outro a sua própria culpa.

E somente aí que eu percebi.

Mas aí já era tarde.

E agora este tempo não volta mais.

Ela pode ser outra, mas nunca mais será essa.

Pode ser outra.

Pode.

Pode?

 


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Fabio Pires é o cara risonho da foto. Eu sou quem assina boa parte dos textos aqui publicados e quem escolhe os assinados por outros escritores. Sou carioca, tenho um livro publicado e vários outros na cabeça, sou baixista de rock, ranzinza, ácido, formado em Letras, graduado em filosofia de botequim, escrevo poesia, mas não me acho poeta e desde 1976 venho tentando fazer a coisa certa, mesmo sem saber muito bem diferenciar o certo do errado.