Um copo de veneno sem gelo, por favor

Um copo de veneno sem gelo, por favor

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Gosto de passear pela poesia quando não quero me explicar e
Deixar a interpretação na conta do leitor.
Ele que faça seu próprio sentido e tomem seu próprio veneno

 

Deleitando-se com um copo de seu melhor veneno

Que derrama, escorre e mancha sua única blusa

E sistematicamente espalha seu amor artificial pelo corpo.

 

Espreita-se de suas próprias ameaças

Como se fugisse de si mesmo

E pouco importa se morde o rabo ou foge da dentada.

 

Pouco se explora apesar de não ter cadeados,

Nem se importa em se ver perdido

E ainda assim usar um mapa.

 

Ludibria suas próprias vontades,

Desviando o olhar do cara que cisma em aparecer no espelho enquanto

Recita palavras vazias copiadas de um livro do Paulo Coelho.

 

Incinera seus desconexos objetivos

Com um palito de fósforo gasto,

Por serem tão superficiais e dispersos que São Tomé teria que vê-los.

Para crê-los.

 

Ilustração por Kleberrise.

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